Sobre poá e a saudade de você
Ultimamente a vida anda complicada, culpa dos astros ou de alguma
profecia do além. Não só pra mim, mas pra todos ao meu redor. Saímos de um
relacionamento decadente, entramos noutro de cabeça com o fôlego necessário,
nos agarramos com toda a força e ele nos escorrega das mãos, onde da noite pro
dia somos obrigados a conviver sozinhos. Culpa da nossa época onde se perderam
os valores e reina a fofoca traiçoeira? Talvez.
Mas eu tenho a solução dos nossos problemas, a minha versão
de conto de fadas. Eu gosto de ser uma pinup, pra fugir da realidade e ter pra
onde correr quando tudo vai de mal a pior. Meu ponto de fuga quase que surreal,
onde eu posso usar Poá, pintar as
unhas de vermelho, comprar lenços pro pescoço e pro cabelo. Sim, isso funciona.
Não sei bem a que época eu me transporto, mas sei que é bem
melhor que essa. Os anos 50 onde reina os tubinhos, os lábios vermelhos e os
delineados pretos e definidos. Os 80, cores e Cindy Lauper. Talvez a Bellé epoque onde eu dou uma voltinha
pela Europa, nas minhas leituras.
Tudo fica mais fácil quando não precisamos nos preocupar com
nossos problemas e frustrações que sempre aparecem debaixo do velho pijama
usado. É quase como ser outra pessoa, com outros motivos pra sorrir, onde um
bom look vintage basta pro prazer
momentâneo. E as músicas... E as pessoas olhando o seu old style... Deixar a vida real e ser completamente feliz em um
mundo paralelo. Aliás, todos precisam de um mundo paralelo.
O problema é a hora de tirar o disfarce e encarar as
olheiras pela manhã. Encarar a falta que faz uma pessoa querida, uma vontade de
arrumar as coisas e dizer “vamos fugir pra nos casar?”, encarar os fatos e ser
forte em dobro. Deve ser uma sensação universal essa a que me refiro, embora o
mundo siga a regra do mais forte, embora todos publiquem felicidade do facebook. Sou capaz de apostar que até
mesmo o mais durão tenha que se segurar pra não lutar por ter a vida de antes.
Sou feliz sendo uma pinup, mas eu trocaria a fantasia por
minha verdadeira identidade se eu pudesse te manter aqui comigo.
*Dedicado a Guilherme A.


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