Sob minha responsabilidade
Primeiro encontro é sempre algo complicado, a começar pela roupa. Como nesse dia foi tudo as pressas, nem tive tempo de pensar muito em me produzir. Um banho de cinco minutos, a primeira roupa que vi pela frente, uma sapatilha rosa, uma maquiagem bem da rale e fui.
Pra que nada desse errado e não fôssemos pegos em flagrante, sai antes com minha amiga pro lugar mais improvável de todos: uma igreja. Aproveitei pra ser absolvida antes mesmo do delito, tão adorável delito que estava prestes a cometer.
Saímos da igreja e fomos à sorveteria. Horas e horas (ta ok, foram só alguns minutos) de atraso, que me renderam três bolas de sorvete com calda quente de chocolate e cerejas. Dez quilos depois, eis que para diante de mim um carro.
Lembro certinho do moicano que ele tinha, da camisa gola V que usava, daquele olhar fixo... “Oi moça!”- recoloquei os pés no chão e respondi, quase sem ar - “oi!”. Me despedi da – digamos - Letícia, deixando-a com as outras meninas, que não vi importância em citá-las (hehe).
Entrei no carro dele quase suando frio, fomos andando a esmo até parar em um parque, de crianças, com areia e tudo mais.
“Você quer ficar aqui dentro do carro ou quer sair?”.
“Vamos sair, lá fora tem um balanço.”
Fomos ao balanço, nos beijamos a luz do luar. Claro que nossa tentativa de namorar no balanço não deu muito certa e voltamos ao carro – ao som de Beethoven.
Tudo corria bem, muitos elogios, linda’s, cherosa’s, e mais um monte de coisa que homem diz quando quer te manter no carro dele, até que meu celular toca. “Amiga, vem pra cá, preciso voltar pra casa”.
Fomos correndo até a Letícia, que me deu cobertura por mais meia horinha. “Cuida bem dela, moço, ela está sobre minha responsabilidade.”
Daí passou-se mais meia e meia e meia horinha, ao som de Beethoven, com friozinho de setembro e lua cheia. Mas, pra que me preocupar em voltar pra casa? Eu já tinha sido absolvida mesmo e afinal, a responsabilidade era toda dela.



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