La ultima y los vamos
Será que eu desaprendi? Ligar no dia seguinte ou depois de
dois dias, passar meu número ou esperar que ele peça, ir falar um “oizinho”
quando passo perto do trabalho dele, tanta coisinha boba e indiferente que
depois de muito tempo com uma mesma pessoa a gente, meio que, esquece.
Já é hora de dar um basta no sofrimento e recomeçar. Recomeçar, uma palavrinha que chega a
dar medo, que semana passada não era nem cogitada pelo meu pensamento preso ao
passado, hoje soa familiar. O medo ainda perdura, pelas histórias vagas que
correm a cidade, a possibilidade de me decepcionar, ainda passa pela cabeça,
mas o recomeçar, esse anda falando
mais alto.
Sabe aquela preguiça só de pensar naquela melação de recém
conhecidos? Isso me dava repulsa. Era tedioso pensar em começar do zero, do
“como é seu nome?”, do primeiro beijo, do grude dos primeiros meses. Que bom
que isso passa, confiem em mim, a repulsa passa e tudo fica bobo, e lindo, e
bobo.
É estranho, mais que tudo, perceber que depois de despencar
das nuvens ainda há esperanças e coisas incríveis no mundo. É ótimo descobrir a
penca de amigos do seu lado pra te levantar, ganhar um “linda demais” de alguém
novo, poder amar incontrolavelmente o seu par de sapatos novos e comer doce sem
se sentir culpada. É bom se preocupar em usar maquiagem ao sair de casa,
descolorir os pelinhos do braço, sentir frio na barriga ao olhar pra alguém. É
bom ter pulsação novamente. Muito bom.
Discuto tanto os problemas do Brasil que hoje parei para
espiar nossos hermanos do México, enchendo a cara de tequila sem se preocupar
com os problemas da vida. Temos sangue latino, cadê nossos baldes chutados e
nossa nova chance pro destino?
Eu, mais do que ninguém, concordo que é difícil segurar a
barra e dar uma oportunidade para novas conquistas, então, que tal se fizermos
assim: chocolate, música triste, chorar mais uma noite e deixar a vida
continuar? Mais uma ultima tequila e vamos!



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