Enigma, claro, como o do poeta


Acho que já estou pronta pra revelar o segredo. Tempero baiano. É esse o segredo pro molho da macarronada ficar, sabe, diferente, com aquele toque especial.
Agora que eu revelei meu segredo, alguém pode me contar o enigma da fidelidade?
Porque nesses anos todos em que minha vida amorosa está ativa, já ouvi milhares e milhares de desculpas para uma traição e, confesso que eu fingi que acreditei em várias delas. Certa vez me disseram “mas ele tem artrite reumatóide e lupos, dá um desconto?”. Olha só, porque não disse antes? Eu não gostaria que você me traísse, mas já que ele tem lupos, tudo bem, coitado, vai lá dar prazer pra ele. Mas que poesia, soa nos meus ouvidos como o som do mar, beira Carlos Drummond. Uma desculpa assim, na lata, sem o mínimo de decência ou vergonha na cara. Mais imunda e covarde do que um pedido de desculpas.  
Já ouvi também “é só um amigo que não vejo há três anos.” Então é por isso que você teve que comer cumprimentar ele. E fica tudo certo? Fica tudo lindo depois? Não, pois não fica! E eu vou ensinar a vocês o porquê não fica.
Nenhuma mulher (ok, nós homens também, mas as mulheres são mais importantes) deve ser tratada como praça pública. Nós homens não podemos ficar entrando, saindo, sujando, pisando quando bem entendermos. Não podemos, elas somos feitas pra isso, com exceção das Panicats e Garotas Legendárias. Trair é um ato covarde, de pessoas mal amadas que nunca provaram de um sentimento maior. É um ato infame, porco, que mendiga por horas de sentimento e desejos falsos. É falta de ética. De caráter. De coração. É falta de ser Homem.
Trair é bom? Eu me pergunto, porque ainda não tive a indecência de experimentá-la. É bom? Satisfaz? Compensa? Se valesse a pena, o ato e as conseqüências, não seria chamada de Traição e eles não voltariam com o rabinho entre as pernas, arrependidos. Mas como diria Arnaldo Jabor “A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.”
Sabem, o difícil nessas horas é ser poeta, ter sentimentos vivos que pulsam e respiram. Se não fosse poeta seria mais fácil, se eu fosse um soldado da segunda guerra tiraria de letra, mas sou apenas um poeta com um enigma nas mãos.

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.” ( Friedrich Nietzsche)

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